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domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 no molho madeira



2011! Uhul! É bom estar de volta!

Mesmo não dando tempo para atualizar tão constantemente isso aqui - com textos 'bloggísticos' da mais duvidosa qualidade - eu espero que exista alguma pobre alma, do outro lado do abismo, que ainda leia o CeribloG e que ainda se divirta com essa pobre bagaça de Blogger, tão desvalorizada nessa época twitteira.

Pelo bem ou pelo mal, isso aqui tem quase 3 anos de existência, e isso faz do blog quase que um símbolo da resistência Oldscholl nessas terras virtuais sem-lei, onde já vimos o nascimento e morte virtual do Mirc, icq, fotolog, orkut e tantas outras coisas que um dia eu preenchi com textos inúteis, letras de música e humor negro.

Eu tive a idéia de fazer este blog para usar como um arquivo, e guardar na internet todos os textos que eu produzi na filosofia e no jornalismo mas, pouco a pouco, eu tomei gosto pela coisa, e volta e meia eu estava aqui, depois de uma noite bêbada e/ou entediante - não mutuamente excludentes - escrevendo.

O mundo girou, e mesmo que por dentro eu continue sendo um vagabundo e usando calças de skatista, eu agora trabalho igual um cão; tenho hora para dormir e acordar; como frutas e verduras e gosto de, simplesmente, não fazer nada o máximo possível. Aqui fala o cara que está blogando no IPad, tomando tereré, ouvindo uma radio do norte da Calábria e olhando de relance o último capítulo do family guy - aproveitar no limite a grandiosidade de não fazer porra nenhuma é um objetivo nobre e difícil nos tempos de hoje.

Eu desejo para todos vocês, os leitores anônimos neste ano pré-apocalíptico, exatamente isso: aproveitem seus momentos de vagabundagem, empinem pipas, joguem xadrez, escutem a nova música instrumental de 17 minutos do Thom Yorke com os pés dentro de uma piscina e, se ficarem sem nada - NADA MESMO - para fazer, visitem o blog e vejam se eu tive algum tempo de não-tempo e atualizei isso aqui. É sempre um prazer terapêutico para mim conversar com vocês.

Para finalizar, deixo aqui o discurso inspirador do meu amigo Jansen Borowski, falando sobre a vida, o universo e todo o resto em seu discurso de formatura na USP.

Peguem seus carrinhos de supermercado e boa-sorte.

Abraços e Feliz 2011!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Balanceagas Torres & Os Corações Pelludos



* retirado do v- book de Claudio Tognolli "Balanceagas Torres e os Corações Pelludos", baixado gratuitamente em www.editoradobispo.com.br

"O bochorno de todos esses humores de ar, no bairro do meu coração, retirava o tempo do próprio tempo, de modo que uma frase, talvez dita por Wittgenstein (que horas são no sol?) seria aplicável, sem dúvida, nestas paragens de putridão: o tempo, sufocado por essa paisagem, certamente nunca existiu. No princípio do Veranico, lá pelos tantos de maio, grupos de ciganos assentavam barracas ao lado das pontes e alças que cruzavam o Rio Tietê. As cabanas eram de plástico azul, rasgadas pelo tempo, e seus cães, tornados cor de neve podre ou de um branco sublunar misturado ao barro. Esse ponto dos ciganos era aquele no qual estava espetado o telefone público pelo qual deveria acessar, nas horas mortas, o primeiro Balenciagas Torres que encontrei. O encontro, marcado exatamente no bairro onde eu nasci, era a minha forma de exercer um risco seguro."

domingo, 21 de novembro de 2010

Together






sunday time off.
don´t mind the robe or the beggar appearence.


domingo, 7 de novembro de 2010

Educação Negativa






** a diagramação do BLOGGER.COM está cada vez pior. Mas agora existe um botão acima do blog (A+ A-) que permite você escolher o tamanho de sua fonte e resolve um pouco do problema! abraços

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Na semana retrasada eu apresentei o trabalho 'Virtude e Verdade - A crítica ao iluminismo de J.J.R', e no meio desta semana tive um trabalho publicado pela 'Semana de Educação - Contrapontos' da UEL. Apesar de estar meio afastado da academia e em uma correria anti-produtiva (filosóficamente falando) é sempre bom voltar a ler o bom e velho Jean Jacques.


Abaixo um trecho do artigo publicado


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A NATUREZA COMO FONTE DA EDUCAÇÃO NEGATIVA EM JEAN-JACQUES ROUSSEAU




“Não se pensa senão em conservar a criança; não basta; deve-se-lhe ensinar a conservar-se sendo homem, a suportar os golpes da sorte, a enfrentar a opulência e a miséria, a viver, se necessário, nos gelos da Islândia ou no rochedo escaldante do Malta (...) trata-se menos de impedi-la de morrer do que fazê-la viver. Viver não é respirar, é agir; é fazer uso de nossos órgãos, de nossos sentidos, de nossas faculdades, de todas as partes de nós mesmos que nos dão o sentimento de nossa existência. O homem que mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais sente a vida.” (ROUSSEAU, 1968, p.16)

            A tarefa de exercer essa espécie de educação negativa[1] em meio ao turbilhão social é mais difícil do que aparenta, e Rousseau não subestima as dificuldades[2] que o aguardavam na criação desse homem da natureza denominado por ele de Emílio, mas ele tampouco se importa demasiadamente com essas questões. As objeções feitas pelos outros filósofos não passam de conjecturas vazias para Jean-Jacques: ele, por ser mais um observador da natureza do que um cientista; por se achar mais em busca de uma verdade do que da fama; por ser antes um homem do que um filósofo[3]; acredita encontrar-se em condições de se abster dos vãos exercícios de retórica sobre sua obra[4], e se satisfaz em ser honesto consigo mesmo, vislumbrando os resultados hipotéticos de sua educação[5].

“Ainda que os filósofos estivessem em condição de descobrir a verdade, qual entre eles teria interesse nela? Cada um deles sabe que seu sistema não é mais bem alicerçado que o dos outros, mas o sustenta porque é seu. Não há um só que, chegando a conhecer o verdadeiro e o falso, não prefira a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, por sua glória, não enganaria de bom grado o gênero humano? Onde se encontra o que, no segredo de seu coração, se proponha a outro objetivo senão o de se distinguir? Conquanto se eleve acima do vulgo, conquanto destrua seus concorrentes, que quer mais? O essencial está em pensar diferentemente dos outros. Entre os crentes ele é ateu, entre os ateus seria crente.” (ROUSSEAU, 1968, p.308)



[1] “Conhecido o principio, percebemos claramente o ponto em que abandonamos o caminho da natureza; vejamos o que é preciso fazer para nele nos mantermos” (ROUSSEAU, 1968, p.49)

[2] “Quanto mais insisto no meu método inativo, mais sinto as objeções se reforçarem. Se vosso aluno não aprender nada de vós, aprenderá dos outros. Se não prevenirdes o erro com a verdade, ele aprenderá mentiras; os preconceitos que temeis dar-lhe, ele os receberá de tudo o que o cerca, ele os terá através de todos os seus sentidos; ou corromperão sua razão, antes mesmo que esteja formada, ou seu espírito, entorpecido por uma longa inatividade, se absorverá na matéria. A falta de hábito de pensar na infância tira a faculdade de fazê-lo durante o resto da vida.” (ROUSSEAU, 1968, p.111)

[3] "Note, afinal, que eu sou sempre o monstro que sustenta ser o homem naturalmente bom, enquanto meus adversários são sempre as pessoas de bem que, para a edificação pública, esforçam-se por provar que a natureza só deu origem a celerados" (ROUSSEAU, 1999, p. 163)

[4]O discurso de Rousseau sobre as críticas de sua obra pelos filósofos da época não mudam até o final de sua vida, como podemos perceber em um de seus últimos escritos: “É assim que, raciocinando comigo mesmo, consegui não mais me deixar abalar em meus princípios por argumentos capciosos, por objeções insolúveis e por dificuldades que ultrapassavam meu alcance e talvez o do espírito humano. O meu, permanecendo na mais sólida situação que lhe pudera dar, acostumou-se tão bem a nela descansar ao abrigo de minha consciência, que nenhuma doutrina estranha, antiga ou nova, pode mais comovê-lo nem perturbar por um instante, meu repouso. Tendo caído na apatia e no entorpecimento do espírito, esqueci até mesmo os raciocínios sobre os quais baseava minha crença e meus princípios, mas nunca esquecerei as conclusões que dela tirei com a aprovação de minha consciência e de minha razão e a isso me atenho doravante.” (ROUSSEAU, 1995, p.50)


[5] “Sei que, obstinando-se a só imaginar o que vêem, encararão o jovem que apresento como um ser imaginário, de fantasia, porque difere daqueles a que o comparam; sem pensarem que é preciso mesmo que difira, porquanto, educado diferentemente, com sentimentos contrários aos dos outros, instruído de outra maneira, seria muito mais surpreendente que a eles se assemelhasse do que ser como o suponho. Não é o homem do homem, é o homem da natureza.” (ROUSSEAU, 1968, p.289)