terça-feira, 1 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Dude, we´re LOST!
Uma leitora (vamos chamá-la de, sei lá, Kate) indicou que todas os mistérios da série tinham sido solucionados, e eu que havia comido 'barriga' para não ver isso. Ou seja, em algum lugar dentro dos extras da sexta temporada e dos últimos episódios da série todos os mistérios (sim, TODOS) tinham sido solucionados. No final do e-mail, ela me chamou de um idiota incompetente.
Tudo bem me chamar de idiota - eu não discordo, sou meio idiota - mas fiquei encucado com essa de não ter 'sacado' o que havia acontecido na ilha. Eu não ia me perdoar se houvesse perdido algum mistério nessa série desgraçada.
Então fui eu lá, assistir os últimos 3 capítulos, entrar na LostPedia denovo, assistir novamente os extras de 12 minutos chamado "The Man In Charge" e no final dessa maratona não encontrei absolutamente nenhuma respostinha, nem uma simples dica do que diabos havia acontecido naquela ilha do capeta.
Depois disso eu, calmamente, me dirigi até o computador e redigi uma resposta para a leitora.
Ele está abaixo:
Prezada Kate
Quando eu coloquei o ponto final na matéria "Era uma ilha muito engraçada...", já imaginava que pudessem haver reações; eu próprio me considero - apesar de todos os pesares - um fã de Lost, e acredito que a série realmente mereça o status que atingiu. Foi revolucionária, apesar de quase se estragar no final. Mas essa é uma opinião.
Acredito que o jornalismo cultural, acima de todos os outros, qualifica-se especialmente por essa diversidade que surge de uma discussão nada parcial. A arte é, fundamentalmente, causadora de conflitos: como dissecar 'racionalmente' um produto que é feito, grosso modo, para te emocionar em algum nível subjetivo? No fundo, a crítica da arte sempre vai esbarrar na pura opinião.
Eu acompanhei todos os episódios de Lost, e admito que fiquei incodicionalmente viciado por aquilo. Contava os dias para chegar um novo episódio que me revelasse um novo flashback cinematográfico feito para descascar (como uma cebola) a personalidade dos sobreviventes. Eu adorava a série. Para mim, J.J. Abrams (que também dirigiu Cloverfield e Missão Impossível 3) é um dos melhores nomes da nova geração de cineastas.
Mas, em algum momento, entre a temporada 4 e 5, o seriado abriu mão da sua maior força - a profundidade dos seus personagens - para embarcar em uma mitologia fraquinha e maniqueísta: o bem contra o mal. A fumaça contra o Jacob. O cara de preto contra o de branco. Esse foi o começo do fim daquela série que eu gostava tanto.
No seu email, você escreveu que as respostas para a série estão nos extras da última temporada. Primeiramente, esta é uma estratégia muito utilizada pelos produtores de grandes séries (ou filmes) que não sabem como encerrar a história. Eles lançam o produto no mercado, observam a reação do público - que, em Lost, foi extremamente negativa (vide artigo do L.A. Times http://articles.latimes.com/2010/may/24/entertainment/la-et-lost-review-20100524 ou do NineNewshttp://news.ninemsn.com.au/entertainment/1057102/fans-slam-lost-finale-as-worst-ever ) e tentam 'remendar' ele depois, com extras e material inédito. Isso é meio praxe em Hollywood.
Em segundo lugar, os extras do box, o mini-episodio de 12 minutos intitulado "The Man in Charge", apenas arranha as questões da série - meio que resolve o urso polar e ressuscita a importancia do Walt em 'voltar para a ilha', mas nenhuma resposta é oferecida. - Lógico que daí sobra espaço em foruns de discussão e pano para manga para anos e anos de teorias, mesmo assim, oficialmente, no Lost nada é resolvido. - voce já deve conhecer o site lostpedia.com, se não, é ótimo, vale a pena dar uma conferida.
Mesmo assim, teve muita gente que adorou o final da série. Eu lembro que sempre entrava nessa discussão com um grande amigo meu, que fez pós em Cinema comigo. Ele dizia: "cara, não importa as respostas para os números e para Dharma. Tudo no Lost é baseado na redenção dos coitados da ilha", eu não concordava, mas respeitava imensamente a opinião dele de engolir esse sapo gigante e aceitar isso de 'ilha da redenção'.
Enfim, eu também me emocionei com Lost. Acompanhei todas as temporadas. E fiquei extremamente decepcionado o o final 'fácil' que os autores escolheram. Você já deve ter percebido, pelo tamanho do email, que eu adoro discutir sobre séries, especialmente séries tão boas quanto essa.
Sobre a outra parte do seu email, em que você julga minha competência como profissional, vou apenas relevar esses comentários e assumir que você estava genuinamente ofendida com um cara qualquer descendo a lenha na sua série preferida. Eu entendo isso, mas posso te garantir que minha competência como jornalista, estudioso de filosofia e de direção cinematográfica, me habilita a discutir em um nível bacana sobre esses assuntos. Na Folha eu tenho uma liberdade editorial fantástica para falar com os leitores sobre isso, e na maioria das vezes - não no seu caso - eles gostam das resenhas.
Eu peço desculpas se te ofendi de qualquer outra maneira, e fico feliz com sua crítica, porquê o tema de uma série legal como Lost deve ser sempre discutido mesmo. Sinta-se a vontade para me enviar quaisquer outras críticas e/ou sugestões. Mas sem fanatismo - futebol e religião não se discute.
Att.
Rafael Ceribelli - Folha2
rafael_ceribelli@hotmail.com / folha2@folhadelondrina.com.br
Para: ***************@hotmail.com
Prezada Kate
Quando eu coloquei o ponto final na matéria "Era uma ilha muito engraçada...", já imaginava que pudessem haver reações; eu próprio me considero - apesar de todos os pesares - um fã de Lost, e acredito que a série realmente mereça o status que atingiu. Foi revolucionária, apesar de quase se estragar no final. Mas essa é uma opinião.
Acredito que o jornalismo cultural, acima de todos os outros, qualifica-se especialmente por essa diversidade que surge de uma discussão nada parcial. A arte é, fundamentalmente, causadora de conflitos: como dissecar 'racionalmente' um produto que é feito, grosso modo, para te emocionar em algum nível subjetivo? No fundo, a crítica da arte sempre vai esbarrar na pura opinião.
Eu acompanhei todos os episódios de Lost, e admito que fiquei incodicionalmente viciado por aquilo. Contava os dias para chegar um novo episódio que me revelasse um novo flashback cinematográfico feito para descascar (como uma cebola) a personalidade dos sobreviventes. Eu adorava a série. Para mim, J.J. Abrams (que também dirigiu Cloverfield e Missão Impossível 3) é um dos melhores nomes da nova geração de cineastas.
Mas, em algum momento, entre a temporada 4 e 5, o seriado abriu mão da sua maior força - a profundidade dos seus personagens - para embarcar em uma mitologia fraquinha e maniqueísta: o bem contra o mal. A fumaça contra o Jacob. O cara de preto contra o de branco. Esse foi o começo do fim daquela série que eu gostava tanto.
No seu email, você escreveu que as respostas para a série estão nos extras da última temporada. Primeiramente, esta é uma estratégia muito utilizada pelos produtores de grandes séries (ou filmes) que não sabem como encerrar a história. Eles lançam o produto no mercado, observam a reação do público - que, em Lost, foi extremamente negativa (vide artigo do L.A. Times http://articles.latimes.com/2010/may/24/entertainment/la-et-lost-review-20100524 ou do NineNewshttp://news.ninemsn.com.au/entertainment/1057102/fans-slam-lost-finale-as-worst-ever ) e tentam 'remendar' ele depois, com extras e material inédito. Isso é meio praxe em Hollywood.
Em segundo lugar, os extras do box, o mini-episodio de 12 minutos intitulado "The Man in Charge", apenas arranha as questões da série - meio que resolve o urso polar e ressuscita a importancia do Walt em 'voltar para a ilha', mas nenhuma resposta é oferecida. - Lógico que daí sobra espaço em foruns de discussão e pano para manga para anos e anos de teorias, mesmo assim, oficialmente, no Lost nada é resolvido. - voce já deve conhecer o site lostpedia.com, se não, é ótimo, vale a pena dar uma conferida.
Mesmo assim, teve muita gente que adorou o final da série. Eu lembro que sempre entrava nessa discussão com um grande amigo meu, que fez pós em Cinema comigo. Ele dizia: "cara, não importa as respostas para os números e para Dharma. Tudo no Lost é baseado na redenção dos coitados da ilha", eu não concordava, mas respeitava imensamente a opinião dele de engolir esse sapo gigante e aceitar isso de 'ilha da redenção'.
Enfim, eu também me emocionei com Lost. Acompanhei todas as temporadas. E fiquei extremamente decepcionado o o final 'fácil' que os autores escolheram. Você já deve ter percebido, pelo tamanho do email, que eu adoro discutir sobre séries, especialmente séries tão boas quanto essa.
Sobre a outra parte do seu email, em que você julga minha competência como profissional, vou apenas relevar esses comentários e assumir que você estava genuinamente ofendida com um cara qualquer descendo a lenha na sua série preferida. Eu entendo isso, mas posso te garantir que minha competência como jornalista, estudioso de filosofia e de direção cinematográfica, me habilita a discutir em um nível bacana sobre esses assuntos. Na Folha eu tenho uma liberdade editorial fantástica para falar com os leitores sobre isso, e na maioria das vezes - não no seu caso - eles gostam das resenhas.
Eu peço desculpas se te ofendi de qualquer outra maneira, e fico feliz com sua crítica, porquê o tema de uma série legal como Lost deve ser sempre discutido mesmo. Sinta-se a vontade para me enviar quaisquer outras críticas e/ou sugestões. Mas sem fanatismo - futebol e religião não se discute.
Att.
Rafael Ceribelli - Folha2
rafael_ceribelli@hotmail.com / folha2@folhadelondrina.com.br
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abraços!
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Olhos Azuis
Todo domingo, se eu consigo salvar o meu jornal das ferozes mandíbulas da pepa (meu rotweiller) eu gosto de folhear as páginas da Folha de S. Paulo - se normalmente a linha editorial já é bacana e recheada de informação, a edição de domingo sempre é acima da média.
Eu geralmente guardo o encarte da "Ilustríssima" para ler durante a semana, e hoje achei uma matéria muito legal sobre a fase romântica do Marx. Eu nem sabia que isso existia, mas parece que, antes do autor escrever "O Capital" e ficar famoso nos panelaços da galera de ciências sociais do CCH, ele escreveu alguns pedaços de um 'quase romance', e desistiu no meio. Vou transcrever abaixo o cap. XIX, que me chamou mais a atenção:
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"Mas ela tinha grandes olhos azuis, e olhos azuis são comuns como as águas do rio Spree.
Desses olhos irrompe uma tola e saudosa inocência, uma inocência que lamenta a si mesma, uma inocência aquosa; quando o fogo se aproxima, ela ascende em um vapor azulado. Os olhos castanhos, contudo, são um reino ideal; um infinito e gracioso universo noturno ali dormia, eles expelem raios d´alma, soam como as canções de Mignon, como a terna, cálida, e longínqua terra habitada por um próspero deus que se banqueteia de sua própria profundidade e se funda no universo de sua existência, irradiando a infinitude e padecendo da infinitude.
Sentimo-nos paralisados por um encanto, e desejamos apertar em nosso peito o melodioso, profundo, inspirado ser; sugar o espírito de teus olhos e fazer canções a partir de seus olhares.
Amamos o mundo rico e agitado do que se nos abre; em seu poscêncio enxergamos gigantescos pensamentos solares, supomos a existência de um sofrimento demoníaco; e figuras que se movem delicadamente encenam uma dança diante de nós, acenam em nossa direção e retrocedem envergonhadas, como as Graças, assim que as reconhecemos."
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Mais uma vez eu penso comigo mesmo que, talvez, Marx não seja tanto assim um chute no saco e que, se não existissem os gritos incoerentes dos pastores 'marxistas', eu até tentaria ler mais coisas dele.
abraços!
domingo, 23 de janeiro de 2011
O Ataque dos Bundóides
Semana passada fiz uma matéria para a Folha de Londrina sobre o cartunista londrinense Fí, que publica seus quadrinhos na revista MAD.
A arte do cara é muito bacana, e abaixo está um exemplo de sua zine "Ânsia na Goela" (clique na imagem para aumentar)
para mais informações sobre o Fí no blog http://falafi.blogspot.com/
abraços!
A arte do cara é muito bacana, e abaixo está um exemplo de sua zine "Ânsia na Goela" (clique na imagem para aumentar)
para mais informações sobre o Fí no blog http://falafi.blogspot.com/
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