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domingo, 21 de novembro de 2010

Together






sunday time off.
don´t mind the robe or the beggar appearence.


domingo, 7 de novembro de 2010

Educação Negativa






** a diagramação do BLOGGER.COM está cada vez pior. Mas agora existe um botão acima do blog (A+ A-) que permite você escolher o tamanho de sua fonte e resolve um pouco do problema! abraços

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Na semana retrasada eu apresentei o trabalho 'Virtude e Verdade - A crítica ao iluminismo de J.J.R', e no meio desta semana tive um trabalho publicado pela 'Semana de Educação - Contrapontos' da UEL. Apesar de estar meio afastado da academia e em uma correria anti-produtiva (filosóficamente falando) é sempre bom voltar a ler o bom e velho Jean Jacques.


Abaixo um trecho do artigo publicado


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A NATUREZA COMO FONTE DA EDUCAÇÃO NEGATIVA EM JEAN-JACQUES ROUSSEAU




“Não se pensa senão em conservar a criança; não basta; deve-se-lhe ensinar a conservar-se sendo homem, a suportar os golpes da sorte, a enfrentar a opulência e a miséria, a viver, se necessário, nos gelos da Islândia ou no rochedo escaldante do Malta (...) trata-se menos de impedi-la de morrer do que fazê-la viver. Viver não é respirar, é agir; é fazer uso de nossos órgãos, de nossos sentidos, de nossas faculdades, de todas as partes de nós mesmos que nos dão o sentimento de nossa existência. O homem que mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais sente a vida.” (ROUSSEAU, 1968, p.16)

            A tarefa de exercer essa espécie de educação negativa[1] em meio ao turbilhão social é mais difícil do que aparenta, e Rousseau não subestima as dificuldades[2] que o aguardavam na criação desse homem da natureza denominado por ele de Emílio, mas ele tampouco se importa demasiadamente com essas questões. As objeções feitas pelos outros filósofos não passam de conjecturas vazias para Jean-Jacques: ele, por ser mais um observador da natureza do que um cientista; por se achar mais em busca de uma verdade do que da fama; por ser antes um homem do que um filósofo[3]; acredita encontrar-se em condições de se abster dos vãos exercícios de retórica sobre sua obra[4], e se satisfaz em ser honesto consigo mesmo, vislumbrando os resultados hipotéticos de sua educação[5].

“Ainda que os filósofos estivessem em condição de descobrir a verdade, qual entre eles teria interesse nela? Cada um deles sabe que seu sistema não é mais bem alicerçado que o dos outros, mas o sustenta porque é seu. Não há um só que, chegando a conhecer o verdadeiro e o falso, não prefira a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, por sua glória, não enganaria de bom grado o gênero humano? Onde se encontra o que, no segredo de seu coração, se proponha a outro objetivo senão o de se distinguir? Conquanto se eleve acima do vulgo, conquanto destrua seus concorrentes, que quer mais? O essencial está em pensar diferentemente dos outros. Entre os crentes ele é ateu, entre os ateus seria crente.” (ROUSSEAU, 1968, p.308)



[1] “Conhecido o principio, percebemos claramente o ponto em que abandonamos o caminho da natureza; vejamos o que é preciso fazer para nele nos mantermos” (ROUSSEAU, 1968, p.49)

[2] “Quanto mais insisto no meu método inativo, mais sinto as objeções se reforçarem. Se vosso aluno não aprender nada de vós, aprenderá dos outros. Se não prevenirdes o erro com a verdade, ele aprenderá mentiras; os preconceitos que temeis dar-lhe, ele os receberá de tudo o que o cerca, ele os terá através de todos os seus sentidos; ou corromperão sua razão, antes mesmo que esteja formada, ou seu espírito, entorpecido por uma longa inatividade, se absorverá na matéria. A falta de hábito de pensar na infância tira a faculdade de fazê-lo durante o resto da vida.” (ROUSSEAU, 1968, p.111)

[3] "Note, afinal, que eu sou sempre o monstro que sustenta ser o homem naturalmente bom, enquanto meus adversários são sempre as pessoas de bem que, para a edificação pública, esforçam-se por provar que a natureza só deu origem a celerados" (ROUSSEAU, 1999, p. 163)

[4]O discurso de Rousseau sobre as críticas de sua obra pelos filósofos da época não mudam até o final de sua vida, como podemos perceber em um de seus últimos escritos: “É assim que, raciocinando comigo mesmo, consegui não mais me deixar abalar em meus princípios por argumentos capciosos, por objeções insolúveis e por dificuldades que ultrapassavam meu alcance e talvez o do espírito humano. O meu, permanecendo na mais sólida situação que lhe pudera dar, acostumou-se tão bem a nela descansar ao abrigo de minha consciência, que nenhuma doutrina estranha, antiga ou nova, pode mais comovê-lo nem perturbar por um instante, meu repouso. Tendo caído na apatia e no entorpecimento do espírito, esqueci até mesmo os raciocínios sobre os quais baseava minha crença e meus princípios, mas nunca esquecerei as conclusões que dela tirei com a aprovação de minha consciência e de minha razão e a isso me atenho doravante.” (ROUSSEAU, 1995, p.50)


[5] “Sei que, obstinando-se a só imaginar o que vêem, encararão o jovem que apresento como um ser imaginário, de fantasia, porque difere daqueles a que o comparam; sem pensarem que é preciso mesmo que difira, porquanto, educado diferentemente, com sentimentos contrários aos dos outros, instruído de outra maneira, seria muito mais surpreendente que a eles se assemelhasse do que ser como o suponho. Não é o homem do homem, é o homem da natureza.” (ROUSSEAU, 1968, p.289)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Sábio Sileno




Ouvi essa história do Nietzsche na aula do grande mestre Weber, no meu primeiro ano de Filosofia


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[...] “Não te afastes daqui sem primeiro ouvir o que a sabedoria popular dos gregos tem a contar sobre essa mesma vida que se estende diante de ti com tão inexplicável serenidade e jovialidade. Reza a antiga lenda que o rei Midas perseguiu na floresta, durante longo tempo, sem conseguir capturá-lo, o sábio Sileno, companheiro de Dionísio. Quando, por fim, ele veio a cair em suas mãos, perguntou-lhe o rei qual dentre as coisas era melhor e a mais preferível para o homem. Obstinado e imóvel, o demônio calava-se; 


Até que, forçado pelo rei, prorrompeu finalmente, por entre um riso amarelo, nestas palavras: – 


Estirpe miserável e efêmera, filhos do acaso e do tormento! Por que me obrigas a dizer-te o que seria para ti mais salutar não ouvir? O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser. 


Depois disso, porém, o melhor para ti é logo morrer”.
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Logo depois, ele emendou "por favor, se vocês um dia pensarem em se matar, larguem o curso antes. já chega de suicidas por aqui"

hahaha

domingo, 17 de outubro de 2010

Zen

* trecho retirado de Godel, Escher, Bach - an eternal golden braid, de Douglas Hofstader. Tradução livre de Ceriblog,






"O estudante Doku chegou até o Mestre Zen, e disse: "Estou procurando a Verdade. Em qual estado da minha mente eu devo chegar, para alcançá-la?"
O Mestre diz: "Não existe mente, então você não pode chegar a nenhum lugar. Não existe Verdade, então você não pode alcançá-la."
- "Se não existe mente para treinar,e nenhuma verdade para encontrar, porque você é mestre desses monges que vêm até aqui todos os dias para estudar e praticar o Zen?"
- "Eu não tenho nenhum centímetro de espaço aqui" - diz o Mestre - "então como podem os monges se reunirem nesse espaço? Eu não tenho língua, então como posso chamá-los até aqui ou ensiná-los?" 
"Oh, como você pode ser tão mentiroso?" pergunta Doku.
"Se eu não tenho lingua para falar com as pessoas, como posso mentir para você?" pergunta o Mestre.


Então Doku responde, tristemente "Eu não posso ser seu discípulo. Eu não consigo entendê-lo."
"Eu não consigo me entender", diz  o Mestre


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O que é dualismo? 

Dualismo é a divisão conceitual do mundo em categorias. É possível transcender essa tendência natural? Pelo prefixo da palavra 'divisão' com a palavra 'conceitual', eu posso ter dado a impressão de que se trata de um esforço intelectual e consciente, e talvez possa fazer alguém assumir que o dualismo pode ser ultrapassado simplesmente com a supressão do pensamento (como se suprimir o pensamento fosse algo simples!). Mas a quebra do mundo entre categorias acontece em um nível muito inferior à camada superior da lógica; na verdade, dualismo é uma questão perceptiva do mundo entre categorias. Em outras palavras, a percepção humana é por natureza um fenômeno dualístico - o que faz a jornada pela iluminação ser uma batalha dificílima, para dizer o mínimo.

No coração do dualismo, de acordo com o Zen, estão as palavras --á apenas as palavras. O uso de palavras é inerentemente dualístico, sendo que cada palavra representa, obviamente, uma categoria conceitual. Dessa maneira, uma parte considerável da filosofia Zen é a luta contra a confiabilidade das palavras. Para combater  o uso das palavras, um dos melhores instrumentos é o koan, onde as palavras são tão profundamente abusadas que a compreensão da história é nula. Assim sendo, é talvez errado dizer que o inimigo da iluminação é a lógica; na verdade, é o pensamento verbal, dualístico. Talvez até mais básico do que isso: é a percepção. Assim que você percebe um objeto, você desenha uma linha entre isto e o resto do mundo: você divide o mundo, artificialmente, em partes, e dessa maneira você se perde do Caminho.